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viernes, 17 de abril de 2009

11 de abril: Dia do Parto

Eu tinha medo do parto. Tentava despistar esse pensamento sempre que ele chegava, mas a verdade é que o medo estava ali. Por um lado, gostava de sentir aquele medo. Sempre sinto medo ou sofro, antecipadamente, mas quando chega o verdadeiro momento me encho de uma força que vem lá de cima. E tudo sai bem.
Tive contraçoes irregulares toda a noite, de quinta para sexta. Na sexta, ao me despertar, senti como se tivesse ficado menstruada, corri ao banho e havia sangue. Expulsei o tal de "tapón mucoso" e depois disso as contraçoes passaram a ser mais regulares e fortes. Fomos para o hospital as 11 da manha e apesar de estar já em inicio do processo, me mandaram de volta para casa. As contraçoes eram regulares mas com intervalos de 10 minutos entre uma e outra e só tinha 1 cm de dilataçao. Voltei para casa, mas já com a certeza que naquele mesmo dia voltaria para o hospital. Era só questao de esperar que as dores se fizessem mais fortes. Uma mistura de sentimentos tomou conta de mim. Emoçao, ansiedade, medo, alegria, expectativa..tantas coisas juntas que nao sei explicar. Só sei que esse conjunto de sentimentos, pouco a pouco, me transformariam em MAE.
Eram 6 da tarde quando decidimos voltar ao hospital. As contraçoes agora eram mais intensas, em intervalos de 5 minutos e com duraçao de 1 minuto cada. De acordo com a orientaçao da médica, pelos sinais, já era a hora. Me examinaram, mas a médica disse que ainda nao era o momento. Estava com dilataçao de 1,5 cm e isso significava que poderia demorar muito ainda para chegar a estar de parto. Fiquei decepcionada. Conversei com muitas mulheres anteriormente que me contaram suas experiencias de parto nesse hospital e nao sofreram quase nada, graças a injeçao epidural, e eu já estava sofrendo bastante de dor e só em pensar em voltar outra vez a casa me deixou desesperada. A médica aconselhou que eu nao fosse a casa, e sim que estivesse pelo hospital, passeando por 2 horas e logo voltaria a me examinar para ver a dilataçao. Ali fiquei, subindo e descendo escadas para exercitar e facilitar. As dores eram cada vez mais fortes e eu continuava naquela mistura de ansiedade, medo e dor.
Quando voltaram a me examinar foi terrível porque me tocaram tanto e me machucava. Eu já estava chorando entre dor e cansaço, quando a médica por fim disse que eu tinha 3 cm de dilataçao e que já iriam internar-me. Chorei, chorei muito. Agora a emoçao era mais forte e o alivio de nao voltar para casa naquela situaçao me faziam "brotar as lagrimas". Cheguei na sala de parto e ali me esperava a matrona e uma auxiliar. Ela me explicou bem como seria todo o processo de parto. Poderia levar horas, ela me disse. Isso dependeria de mim, do meu corpo e também do bebê, afinal, o parto normal é um trabalho conjunto entre mãe e filho.
O quarto era super confortável, e ali entrava matrona, enfermeiro, enfermeiras, auxiliares, ginecologista, obstreticista e todos me orientam e me acalmavam cada vez mais. Logo veio Aitor para me fazer companhia e ia revesando com minha mae. Eu seguia com as dores, até que vierem para furar a minha bolsa e a dor foi muito mais intensa. Foi horrível, mas nao demorou nada para que chegasse a anestesista com a epidural. Depois da anestesia, tudo foi muito tranquilo, pude descansar um pouco e o fato de nao sentir dor, deixavam que as horas me inundassem de uma grande espera. Eram as 12 da noite quando me anestesiaram, e de hora em hora voltavam para conferir minha dilataçao. As horas se faziam duras, principalmente para o Aitor e minha mae, que estavam bastante cansados.
As 3.30 da manha por fim alcancei os 10 cm de dilataçao. Já estava pronta para o parto, mas ainda tinha que esperar 2 horas antes de começar. Esse tempo era para ver se Ainara girava a cabeça em posiçao de saida para facilitar o momento. Duas longas horas, que nao passavam, se fizeram eternas. Eu estava ansiosa para começar e vê-la. As 5.30 da manha, entrou a matrona com a auxiliar para preparar o parto. Ainara ainda nao tinha girado a cabecinha, mas decidiram começar assim mesmo. Isso era o mais fácil, me disseram antes: era fazer força e ela sair. Sem sentir nada graças a epidural. Pensei que duraria alguns minutos, mas nao foi tao fácil como imaginei.
Eu precisava concentrar minhas forças onde ela tinha a cabecinha, mas a anestesia, entre todas suas vantagens, existe a desvantagem (que eu só conheci nesse momento) de você nao sentir essa regiao e assim dificultar a "expulsao". Fiz força, mais força, mais força e mais força. Estava exausta, sem ar, preocupada com Aitor que estava totalmente zonzo ao meu lado me vendo naquela situaçao. Força, força, força e mais força. Mais força, força, força, força. Acabou de gotear a anestesia e dentro de pouco tempo começaria a sentir dores. Pedi anestesia e a matrona disse que nao me daria pq eu precisava sentir a regiao para facilitar. Força, força, força, sem ar, exausta, choro, força, força, Aitor roxo ao meu lado, força, força. A matrona estava nervosa, impaciente, perdeu toda a delicadeza do começo. Ao final disse:
-Vamos ter que forçar o parto, já acabou o tempo.

Saiu da sala e voltou com toda uma equipe. Oito pessoas no total tomaram conta daquele pequeno quarto. A matrona diz a cirurgiã:

- Já faz 1.30h que estamos tentando a "expulsao" sendo que o maximo que ja demorei nisso foi 30 minutos.

Pediram para o Aitor sair da sala porque era traumatico assistir o parto induzido. Disseram que o chamariam assim que nascesse. Eu estava preocupada. Estaria tudo bem com Ainara? Estaria tudo bem comigo? O fato de nao deixarem o Aitor ficar, me deixou apavorada. Nao foi assim que me contaram e nao nos preparamos para complicações.
Continuei fazendo força, enquanto uma das médicas empurrava minha barriga para baixo, e a outra puxava Ainara por baixo, com um Force. Nao demorou muito e escutei um barulho e a sensaçao de que algo me escapava. Uma das médicas disse sorrindo:

- Já saiu metade!! Faz força uma vez mais e já terminamos.

Chorei. Chorei de emoção e de alívio, mas logo me recompus, pois precisava energia para aquele último esforço. Ainara nasceu.

Antes do parto, a matrona me orientou de um novo procedimento do hospital que ao nascer, colocam o bebe na barriga da mae, antes mesmo de cortar o cordao umbilical e nos deixam nesse contato corporal por 1 hora. Segundo pesquisa, esse procedimento é muito importante tanto para a mae, quanto para o bebê, psiquicamente. No meu caso, tiveram que "roubar" a Ainara por alguns minutos. Estava bastante suja e precisavam examinar-la rapidamente para certificar que estava tudo bem.

Ela chorou pela primeira vez ali naquele quarto e seu pranto parecia música para mim. Era tudo que eu desejava ouvir naquele momento para saber que estava tudo bem. Aitor entrou rapidamente, emocionado, assustado e cansado. Eu nao podia deixar de admirá-la de longe: chorando, com os olhinhos sempre fechados e as perninhas cruzadas como no primeiro ultrassom que eu fiz. Logo o enfermeiro se aproximou com ela no colo, chorando e a colocou sobre o meu peito.

Jamais esquecerei aquele momento. Ela se aproximando e quando a colocaram em cima de mim sua primeira reaçao foi girar a cabecinha, abrir os olhos e me olhar. Em seguida fechou, deixou de chorar e dormiu. Eu sei que aquele momento em que nossos olhares se fixaram por um segundo, foi algo que me fez tremer o coraçao. Sei que ela nao viu nada mais que uma sombra e que uma mae emocionada fala "abobrinha", mas eu senti que aquele olhar foi de curiosidade, ou de confirmaçao. Seja o que for, foi um momento nosso, somente meu e dela e nos entendemos a tal ponto de nao precisar traduzir ou decifrar.

Ainara nasceu dia 11 de abril de 2009, sabado de aleluia. Pesava 3,510kg e media 50,5 cm. Nasceu as 7.40 da manhã e a partir desse instante, iluminou a minha vida.

Aitor e eu nao esperávamos um parto tao difícil. Nao nos preparamos para ele também. Apesar de Aitor me admirar e dizer que me comportei como uma campeã, eu sigo pensando que ele foi o campeão. Imagino como deve ter sido duro para ele assistir tudo aquilo, com a sensibilidade que ele tem e com a impotencia de nao poder fazer nada. Quanto a mim, as dores ou angustias que senti desapareceram totalmente quando a vi pela primeira vez. Serao emoçoes que reviveremos sempre!!!!

Durante o dia, na quinta, minha mae e eu no Castillo de Butrón.

Eu, quase dando a luz, no dia em que comecei a sentir as contraçoes, pulando a cerca proibida para ver o Castillo.

Minha mae, emocionada e depois de muito chorar, prestigiando esse primeiro momento com Ainara.


Aitor, o pai babao, valente e orgulhoso. Nossa primeira foto em família, nosso primeiro momento a três. Emocionante...



Eu, totalmente emocionada, enquanto ela segurava meu dedo com aquela pequenina e forte mao.




Nao pudia deixar de olhar-la. Meu presente de Deus, minha princesa, minha querida e amada "Ainara".

Eu, esperando o grande momento. Já sobre o efeito da anestesia epidural.

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